Era manhã de Julho e eu estava ali, na cidade maravilhosa, de frente para a praia mais conhecida do Brasil.
Já tinha passado por Drummond e pedido alguns conselhos. Já tinha passado por Caymmi e ouvido ele tocar em minha imaginação.
Apegada aos detalhes fui caminhando e me apaixonando por cada pequeno encanto que passava por meus olhos. É que ali o nada se tornava tudo.
Prossegui guiando meus passos para frente, até de longe enxergar aquelas pedras. Fui subindo até chegar no alto do Arpoador, sentei-me ali e fiquei a espera de assistir ao mais lindo espetáculo que o Sol estava preparando.
O horizonte ainda estava escuro, apenas a Lua iluminava as águas a minha frente e o meu coração estava tomado pela mais deliciosa ansiedade. Naquele momento eu me permiti ser platéia da maior Estrela do mundo. Fechei meus olhos e agradeci a vida por me permitir vivenciar um verdadeiro e lindo sonho. Parecia que eu tinha vivido para ver aquele momento. Abri meus olhos e o horizonte ia clareando a cada minuto que se passava, até que de repente eu vi a luz ardente crescer de uma forma inimaginavelmente incrível. A bola de fogo iluminava todo o meu foco de visão, ia rasgando o horizonte a minha frente. A imensidão marítima e celeste já não estava mais tomada pela escuridão. E foi ali, do alto daquela pedra que eu vi o Sol nascer pela primeira vez rente aos meus olhos no horizonte. Mantive meus olhos bem abertos, mas silenciei minha mente. Abri uma nova caixinha de sentimentos em meu coração e ali depositei cada sensação que estava me tomando. Senti-me completa, renovada e só então percebi que junto com o Sol também estava nascendo uma nova menina dentro de mim. Uma menina de alma iluminada, de coração ardente, um menina com o interior ensolarado. Eu que sempre fui preenchida com a frieza e tristeza do cinza, finalmente tinha encontrado a mais bela e forte luz.
Olhei para o céu e pedi à Deus que ouvisse todos os sonhos que estavam crescendo dentro daquele meu coração eternamente apaixonado pela vida. Entreguei-me àquele momento, porque ali eu deixei de ser incompreendida, incompleta, inconstante, invisível. Aquele lugar me compreendia, me completava, me enxergava. Eu queria permanecer ali para sempre, e esse sentimento, eu sabia, seria constante até o último instante da minha existência. Novamente fechei meus olhos, e nesse momento tudo que me vinha em mente era aquele certo alguém, tudo que meu coração desejava era que aquele alguém estivesse ao meu lado, tudo que minha alma bradava era o nome dele. Com as mãos no peito eu pedi mentalmente a Deus que, algum dia, me permitisse estar no alto daquela pedra novamente para ver aquela cena de novo, mas dessa vez com aquele alguém ao meu lado. Depositei todas as minhas preces no Sol que nascia, no céu que se iluminava, nas águas que dançavam, e eu sabia que lá de cima Deus aplaudia sua natureza e conspirava a favor desse meu novo sentimento. Eu sabia que assim como Ele criou o Sol, o céu, a terra e as águas, era Ele também que tinha plantado no meu coração aquela nova semente do amor.
Contive as lágrimas que ardiam e sorri, porque naquele instante eu tive a certeza que, um dia, eu estaria naquele lugar novamente. Deixei meu coração naquele horizonte com a convicção de que, mais cedo ou mais tarde, eu voltaria para buscá-lo. (Dessa vez para entregá-lo àquele alguém que estaria ao meu lado.)
Nossa política é a paixão, vestimos a camisa do amor, temos os sonhos como religião, somos filósofos da dor. Esperamos desse mundo insensível e ignorante um preenchimento que nunca virá, e em meras postagens todo esse vazio, em palavras, transbordará.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
Só
Fútil coração
Pouco sabe guardar
as coisas na mão, e acha que sabe amar.
Tambor de confusão
Prossegue a cantar e pensa que é
feliz.
Oh! Doce ilusão
Quando chegastes? Nunca te quis.
Rumo nesse vagão
Vinhentes em meu peito aflorar.
Tamanha solidão
Eu tão só, não sei amar.
Eu tão só, não sei amar.
sábado, 20 de julho de 2013
Plural Eu
Me pego em teu abismo, e recrio nossas
fantasias.
O que seria de mim, se não
tivesse as lembranças para me afogar?
Nessa noite fria e vazia, tudo
que consigo é pensar em ti.
O "pra sempre"
se foi com o vento, e nas tuas palavras só restaram a dor.
Meu coração à pouco remendado, eu
entregaria a você.
Daria-te os olhares sinceros, o
meu mais belo sorriso.
Faria de nossas canções, melodias
para bailar junto a ti.
Acabaria com essa dor que sinto.
Coloriríamos o vazio.
Ah coração, olhe onde se meteu.
De tantos meios para se viver
bem, escolheu amar um peito que não era seu.
Queria dançar em teus braços, me
mover nesse lindo compasso.
Faria com que nossa dança durasse
uma eternidade. Ou apenas mais uma lembrança.
Dói-me sonhar, principalmente por
os sonhos serem meus e não nossos.
Dói ser singular/plural, num mar
de cicatrizes uniformes.
Ah, coração, olhe onde se meteu.
Tão apegado as memórias, restou
apenas o plural.
Eu.
- @retiessencia - São Paulo - SP.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Instante
Gostaria
de lhe ajudar. De lhe entregar mais alguns minutos. Mais alguns fiapos de
liberdade. Pensava ao
olhar aquela cena que concluía-se pelos meus olhos. Era tarde, tarde demais.
Estava observando-a a alguns minutos. Suas últimas lembranças eram minhas. Tão
sem força, ainda buscava a libertinagem. Uma vez. Somente mais uma vez.
Não sei como ela chegou ali, apenas a
encontrei singelamente debruçada no asfalto frio e desprovido de ternura. Ainda
sem respostas, as asas tentavam se desprender novamente do casulo. O casulo que
agora se encaminhava à sentença. As memórias que lentamente adormeciam.
Afinal,
o que somos além de memórias? Memórias em suas dualidades desequilibradas, que
por si só, não possuem conjugação. Memórias rasas que são encaminhadas para o
"nunca mais" sem passagem de volta, sem opção de reavivamento.
Memórias de algo jamais regenerado.
Um vento frio percorreu meu corpo,
trazendo-me para a cena atual. E lá se concluía apenas o asfalto consternado.
Meus olhos não a encontravam mais. A jovial borboleta, havia sido levada pelo
vento. Para o último voo, rumo aos mistérios da eternidade. O alçar categórico
de sua sentença, lhe permitiu o fiapo de liberdade que almejei. Não havia nada
além da ínfima recordação, daquilo que em um breve instante existiu.
Um instante, que se eternizou em minha
realidade.
Um instante, onde uma pequena
existência adormeceu.
Um instante – agora – jamais
regenerado, jamais reavivado. Somente uma vez, para nunca mais.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Mistério celeste
Era noite de inverno, fazia frio e como de praxe seu coração estava vazio.
Isso não era necessariamente ruim, um coração vazio nem sempre é sinônimo de sofrimento. O que a incomodava era estar vazia, sabendo que podia transbordar. No entanto tudo que transbordava dela era um vazio imenso que ocupava todo o seu interior.
Sentia-se em paz, mas angustiada ao mesmo tempo. Ela sempre fora um mar de contradições incompreensíveis.
E foi naquela noite fria de inverno que ela se viu sob um singelo teto de madeira, ouvindo canções que invadiam sua alma e preenchiam qualquer vazio existente, que ela sentiu seu coração transbordar pela primeira vez naquela estação. O clima era frio, mas seu coração estava em chamas, ardendo como nunca antes. Era o amor mais belo que ali habitava, um amor que ia além daquele explanado pelos poetas, um amor ainda maior do que aquele dramatizado pelos românticos, um amor que acolhia, preenchia, aquecia. Um amor que abraçava a alma e beijava o coração.
Naqueles instantes em que transbordava, ela abandonou a razão e se permitiu apenas o sentir. Fechou seus olhos e apreciou cada segundo de ardência, até sentir-se plenamente em paz. E de repente sentiu que em sua alma asas se abriam e ela podia jurar que estava voando. Ela flutuava.
Levantou-se e caminhou para fora. De repente o singelo teto de madeira deu lugar a imensidão celeste.
Ela ficou parada por alguns minutos absorvendo toda a magia que havia vivenciado a poucos instantes.
Quando se permitiu voltar a realidade olhou para o céu. O mesmo céu que ontem estava enegrecido sem nenhuma cor ou iluminação, naquele momento estava encoberto de estrelas, e a lua minguante pendurada na escuridão iluminava toda aquela noite com seu brilho prateado. A lua parecia uma virgula em meio a todas aquelas mensagens ocultas que a imensidão transmitia. Escritos que não podiam ser lidos por meros olhos humanos. Escritos que só podiam ser sentidos pelo coração. A lua harmonizava a melodia das mensagens, enquanto as inúmeras estrelas faziam daquele livro celeste algo infinito. As estrelas serviam como reticências.
E naquele momento ela sentiu que seu coração podia facilmente ser um capítulo daquele livro imenso, pois ela sentia que a paz que a habitava naquele momento era como a lua que servia de virgula e harmonizava o céu. E a euforia mágica que ali se espalhava eram como as estrelas: reticências que não permitiam que o ponto final fosse escrito dando fim aquela linda história.
Isso não era necessariamente ruim, um coração vazio nem sempre é sinônimo de sofrimento. O que a incomodava era estar vazia, sabendo que podia transbordar. No entanto tudo que transbordava dela era um vazio imenso que ocupava todo o seu interior.
Sentia-se em paz, mas angustiada ao mesmo tempo. Ela sempre fora um mar de contradições incompreensíveis.
E foi naquela noite fria de inverno que ela se viu sob um singelo teto de madeira, ouvindo canções que invadiam sua alma e preenchiam qualquer vazio existente, que ela sentiu seu coração transbordar pela primeira vez naquela estação. O clima era frio, mas seu coração estava em chamas, ardendo como nunca antes. Era o amor mais belo que ali habitava, um amor que ia além daquele explanado pelos poetas, um amor ainda maior do que aquele dramatizado pelos românticos, um amor que acolhia, preenchia, aquecia. Um amor que abraçava a alma e beijava o coração.
Naqueles instantes em que transbordava, ela abandonou a razão e se permitiu apenas o sentir. Fechou seus olhos e apreciou cada segundo de ardência, até sentir-se plenamente em paz. E de repente sentiu que em sua alma asas se abriam e ela podia jurar que estava voando. Ela flutuava.
Levantou-se e caminhou para fora. De repente o singelo teto de madeira deu lugar a imensidão celeste.
Ela ficou parada por alguns minutos absorvendo toda a magia que havia vivenciado a poucos instantes.
Quando se permitiu voltar a realidade olhou para o céu. O mesmo céu que ontem estava enegrecido sem nenhuma cor ou iluminação, naquele momento estava encoberto de estrelas, e a lua minguante pendurada na escuridão iluminava toda aquela noite com seu brilho prateado. A lua parecia uma virgula em meio a todas aquelas mensagens ocultas que a imensidão transmitia. Escritos que não podiam ser lidos por meros olhos humanos. Escritos que só podiam ser sentidos pelo coração. A lua harmonizava a melodia das mensagens, enquanto as inúmeras estrelas faziam daquele livro celeste algo infinito. As estrelas serviam como reticências.
E naquele momento ela sentiu que seu coração podia facilmente ser um capítulo daquele livro imenso, pois ela sentia que a paz que a habitava naquele momento era como a lua que servia de virgula e harmonizava o céu. E a euforia mágica que ali se espalhava eram como as estrelas: reticências que não permitiam que o ponto final fosse escrito dando fim aquela linda história.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Renovação
Deixei que tuas corres
borrassem minhas dores
num simples pincelar.
Permiti que teu sorriso
encontrasse abrigo
num rosto familiar.
Segurei em sua mão
ao contaminar-me em explosão
do que não soube distinguir.
Abandonei em seu mar
meu desajustado navegar
sem receio de submergir.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Insuficiência poética
Olhei para o céu e busquei pelas estrelas: Elas haviam se escondido.
Olhei para o meu coração e busquei pelo amor: Ele havia desaparecido.
Tentei encontrar todo aquele grito silenciado: Ele já estava contido.
Tentei buscar inspirações nos meus infinitos clichês: Tudo havia sumido.
Abro e fecho meus olhos em busca de uma explicação,
mas para o que sinto agora não existe definição.
Algumas rimas soltas e pobres ficam vagando sem rumo, sem saber onde se encaixar.
Estou perdida junto com essas palavras, já não sei quais sentimentos irão me acompanhar.
Abri as grades do meu coração, libertei todo o amor que em mim vivia.
Tudo voou para longe e fugiu-me a poesia.
Olhei para o meu coração e busquei pelo amor: Ele havia desaparecido.
Tentei encontrar todo aquele grito silenciado: Ele já estava contido.
Tentei buscar inspirações nos meus infinitos clichês: Tudo havia sumido.
Abro e fecho meus olhos em busca de uma explicação,
mas para o que sinto agora não existe definição.
Algumas rimas soltas e pobres ficam vagando sem rumo, sem saber onde se encaixar.
Estou perdida junto com essas palavras, já não sei quais sentimentos irão me acompanhar.
Abri as grades do meu coração, libertei todo o amor que em mim vivia.
Tudo voou para longe e fugiu-me a poesia.
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