Sempre caminhei sozinha na contramão da vida, percorrendo uma estrada cheia de utopias. Sempre sem direção certa, desgovernada em minhas andanças, porque sou feita de contradições e inconstâncias.
Gosto de caminhar para frente, correndo rumo a uma estrada nova, mas vez ou outra preciso voltar para trás e resgatar alguns momentos na estrada da memória.
E voltando eu me perco e me perdendo eu me encontro. São nos contrários de mim que mora o encanto.
Não sou feita de medidas exatas, ainda não aprendi a me dosar. Sou muito, sou tudo, é tanto Eu que preciso me doar.
Uma louca desvairada que caminha calma e desesperada. Me encho de tudo, me encho de nada, e vou transbordando meus acúmulos e vazios no decorrer da estrada.
Preferi a estrada mais longa, caminho na emoção e não na razão. Em cada curva vivo uma loucura, em cada esquina encontro uma contradição.
São nas dúvidas que encontro minhas certezas. É através do cinza que começo a pintar um arco-íris. É na dor e na solidão que encontro o amor e a paixão. Uma explosão de contradição, é assim que pulsa o meu coração.
A menina que em mim habita nunca fez sentido, mas sempre foi mestre na arte de viver sentindo. Se na faculdade da vida ela só tivesse que amar, com certeza seria uma aluna exemplar. Mas, infelizmente, na matéria de fazer as coisas darem certo ela acabou de reprovar.
Ela já foi muito corajosa, destemida, inquieta e se os sentimentos fossem esportes radicais ela seria uma grande atleta. Mas o amor é semelhante ao bungee jump e ela já sofreu alguns acidentes. Feriu seu coração e traumatizou a sua mente.
A menina que caminhava sozinha na contramão da vida hoje caminha perdida, com medo, querendo mudar a direção, desejando percorrer uma estrada sem curvas e sem nenhuma frustração. A matéria de amar ela desistiu de estudar e de bungee jump ela não tem mais coragem de pular.
É que a pobre menina bebeu doses de complexidade altas demais para uma só vida e os fardos da realidade lhe causaram muitas feridas.
Hoje ela já não se arrisca sem temor, porque a menina tem mais medo do amor do que de filme de terror.
Nossa política é a paixão, vestimos a camisa do amor, temos os sonhos como religião, somos filósofos da dor. Esperamos desse mundo insensível e ignorante um preenchimento que nunca virá, e em meras postagens todo esse vazio, em palavras, transbordará.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Reticências
Nunca soube lidar com começos, assim como nunca soube lidar com meios e fins. A verdade é que eu sou do tipo que não sabe lidar com a vida.
Não sei ao certo em que momento você começou a ser o meu ponto de paz, minha fonte de alegrias, o motivo dos meus sorrisos bobos. Não sei quando foi que eu me descuidei e deixei você habitar o meu coração. Eu achei que estivesse bem trancado, então como você entrou, menino?
Acho que é verdade aquela história de que os sentimentos superam todas as barreiras e obstáculos. Não adianta trancar as portas e fechar as janelas, nem mesmo ignorar as batidas e os chamados, o sentimento vai lá e passa pelo vãozinho da fechadura se necessário e de repente se instala dentro do seu coração. Logo você se acostuma com a presença dele lá dentro, até que um dia você percebe que ele já é uma parte de você.
E quando eu vi aquele olhar eu tive a certeza de que estava apaixonada. Aquele olhar que ainda não me pertencia, mas eu gostava de acreditar que sim. Ele não era meu, não inteiramente, mas eu estava aprendendo a lidar com frações.
Eu que sempre fui poesia estava tendo que lidar com um sentimento extremamente matemático e diariamente eu tentava descobrir uma fórmula para transformar aquela fração em um número inteiro. O problema é que eu nunca fui boa com cálculos.
Eu gostaria de dizer que vivemos uma história de amor desde o "Era uma vez", mas não, vivemos uma história harmônica e fomos escrevendo os sentimentos conforme foram se passando os capítulos. Nossa história não teve um fim, está incompleta, e nós narradores-personagens só estamos sofrendo de insuficiência poética e para não danificar o enredo optamos por pausá-la. Eu ainda sonho com o dia que olharei para os seus olhos novamente e ainda sorrio só de pensar. Quem sabe nesse dia quando eu olhar bem no fundo dos seus olhos eu desvende os seus mistérios. Talvez seus olhos revelem seu coração e a sua alma. Quem sabe, com muita sorte, eu me encontre neles.
Mas de tudo que você poderia ter sido, você preferiu ser um anjo. Um anjo que mesmo sem asas me ensinou a voar. Um anjo que me proporcionou um pedacinho do céu, pedacinho que foi o suficiente para me tornar infinita.
Hoje eu flutuo e a causa é você, que trouxe à minha vida paz em plenitude. E se hoje eu não perco o meu sorriso foi porque você deu a ele a imortalidade. Hoje meu sorriso é imortal, imortal como o seu encanto, meu anjo.
Não sei ao certo em que momento você começou a ser o meu ponto de paz, minha fonte de alegrias, o motivo dos meus sorrisos bobos. Não sei quando foi que eu me descuidei e deixei você habitar o meu coração. Eu achei que estivesse bem trancado, então como você entrou, menino?
Acho que é verdade aquela história de que os sentimentos superam todas as barreiras e obstáculos. Não adianta trancar as portas e fechar as janelas, nem mesmo ignorar as batidas e os chamados, o sentimento vai lá e passa pelo vãozinho da fechadura se necessário e de repente se instala dentro do seu coração. Logo você se acostuma com a presença dele lá dentro, até que um dia você percebe que ele já é uma parte de você.
E quando eu vi aquele olhar eu tive a certeza de que estava apaixonada. Aquele olhar que ainda não me pertencia, mas eu gostava de acreditar que sim. Ele não era meu, não inteiramente, mas eu estava aprendendo a lidar com frações.
Eu que sempre fui poesia estava tendo que lidar com um sentimento extremamente matemático e diariamente eu tentava descobrir uma fórmula para transformar aquela fração em um número inteiro. O problema é que eu nunca fui boa com cálculos.
Eu gostaria de dizer que vivemos uma história de amor desde o "Era uma vez", mas não, vivemos uma história harmônica e fomos escrevendo os sentimentos conforme foram se passando os capítulos. Nossa história não teve um fim, está incompleta, e nós narradores-personagens só estamos sofrendo de insuficiência poética e para não danificar o enredo optamos por pausá-la. Eu ainda sonho com o dia que olharei para os seus olhos novamente e ainda sorrio só de pensar. Quem sabe nesse dia quando eu olhar bem no fundo dos seus olhos eu desvende os seus mistérios. Talvez seus olhos revelem seu coração e a sua alma. Quem sabe, com muita sorte, eu me encontre neles.
Mas de tudo que você poderia ter sido, você preferiu ser um anjo. Um anjo que mesmo sem asas me ensinou a voar. Um anjo que me proporcionou um pedacinho do céu, pedacinho que foi o suficiente para me tornar infinita.
Hoje eu flutuo e a causa é você, que trouxe à minha vida paz em plenitude. E se hoje eu não perco o meu sorriso foi porque você deu a ele a imortalidade. Hoje meu sorriso é imortal, imortal como o seu encanto, meu anjo.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Coleciona(dor)a de cicatrizes
Ela queria
transbordar sua dor em palavras, mas já não existiam palavras dentro dela e a
falta da escrita era a pior de suas ausências.
As marcas
estavam voltando a incomodar e novas feridas estavam começando a ser desenhadas. Era questão de tempo para todos os espacinhos dela serem
preenchidos com a dor, nenhum cantinho sairia ileso. Ela sempre fora uma
colecionadora de cicatrizes.
Dizem que tudo que é bom dura pouco, então ela estava esperando pelo fim
desde o começo, mas ir embora era tão difícil. Ela nunca foi boa com pontos
finais, sempre dava um jeitinho de transformar em reticências, mas ela já
deveria saber que não é preciso escrever o ponto final para uma história ter um
fim.
Ela nunca foi
boa com máscaras, sempre teve tendência à transparência e por esse motivo não conseguia
ignorar suas dores, precisava enfrenta-las. Mas ela estava tão cansada de
lutar, ainda mais quando precisava ser uma guerreira sozinha. Ela lutava apenas para manter seu sorriso intacto, mas ele
sempre se partia.
Por mais
acostumada que estivesse com o Sol deveria estar preparada para a tempestade,
porque ela sabia que era questão de tempo para o céu desmoronar novamente, e
seu coração sempre foi influenciado pelo clima.
Seu interior
esteve ensolarado por um bom tempo, mas o cinza sempre predominava e estava
retornando mais uma vez. E quando as gotas de chuva começaram a escorrer do
céu, as lágrimas resolveram deslizar por sua face também.
O sorriso dela
se pôs junto com o Sol e a escuridão trouxe consigo aquela velha tristeza. Ela
tinha perdido as cores do seu arco-íris mais uma vez e termia não encontrar
lápis de cor suficientes para (re)colorir o seu céu novamente.
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